
Nova decisão do CNPE afeta diretamente a frota de clássicos antigos
Na última terça-feira, 14 de julho de 2026, o antigomobilismo brasileiro recebeu uma notícia que acendeu a luz de alerta
O aumento do teor de etanol anidro na gasolina para 32% (mistura E32), é um golpe severo na preservação da frota mais antiga.
Na última terça-feira, 14 de julho de 2026, o antigomobilismo brasileiro recebeu uma notícia que acendeu a luz de alerta nas garagens e coleções de todo o país. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, saltando para a marca histórica de 32% (a chamada mistura E32).
Se por um lado a medida reflete uma política de Estado voltada para a transição energética e a macroeconomia, por outro, ela impõe um desafio mecânico severo para a frota circulante mais antiga e, em especial, para o nosso patrimônio histórico sobre rodas.
Como representantes e entusiastas que respiram a cultura do automóvel clássico, é nosso dever analisar friamente este cenário, colocando na balança os prós e os contras desta decisão governamental, e entender exatamente o que está em jogo sob o capô dos nossos clássicos.
Colocar 32% de etanol em um motor projetado para queimar gasolina pura desencadeia uma reação em cadeia de danos físicos e químicos. Os principais problemas que passam a assombrar as garagens são:
O etanol é um solvente altamente agressivo para materiais antigos. Os carros das décadas passadas utilizam juntas de cortiça, diafragmas de borracha comum e mangueiras que simplesmente se dissolvem ou ressecam ao entrar em contato com essa concentração de álcool. O resultado direto são vazamentos de combustível no cofre do motor, o que eleva drasticamente o risco de incêndios. Além disso, componentes de metal amarelo (como latão) e ligas de zamac, comuns em carburadores antigos, sofrem corrosão severa.
O álcool combustível é higroscópico, ou seja, ele tem a propriedade de atrair e absorver a umidade do ar. Como a grande maioria dos carros de coleção passa semanas ou até meses guardada na garagem, o combustível parado no tanque acumula água. Isso causa ferrugem interna nos tanques metálicos, entope os giclês dos carburadores e oxida as linhas de alimentação antes mesmo que o combustível chegue ao motor.
A queima do etanol exige muito mais combustível do que a queima da gasolina pura para manter a proporção correta com o ar. Ao abastecer um carro carburado com a gasolina E32 sem alterar sua regulagem, o motor passa a funcionar com uma “mistura pobre” (falta combustível e sobra ar). Isso gera perda de desempenho, falhas crônicas na aceleração e, de forma invisível, eleva a temperatura interna da câmara de combustão, o que pode causar detonação (a famosa “batida de pino”) e derretimento de pistões.
Para a Federação Paulista de Antigomobilismo (FPA), a decisão ignora a realidade de uma frota estimada em milhões de veículos antigos e clássicos em todo o Brasil. Carros de coleção não são meios de transporte diários; são ativos históricos de valor cultural imensurável. Tratá-los sob a mesma régua de motores modernos e flexíveis é um erro grave de preservação.
A FPA continuará cobrando das autoridades medidas protetivas, como a garantia de fornecimento de gasolinas especiais ou puras em postos credenciados para que o antigomobilista possa abastecer seu clássico sem a certeza de que está danificando seu motor.
Até que tenhamos uma alternativa viável no mercado, os donos de carros antigos precisam adotar medidas de mitigação de danos:
Troca de mangueiras: Substitua todas as linhas de combustível antigas por mangueiras modernas feitas de Viton ou outros polímeros resistentes ao ataque químico do etanol.
Ajuste de carburação: Enriqueça a mistura do carburador (aumentando a vazão dos giclês) para compensar a falta de poder calórico da gasolina excessivamente misturada.
Não deixe o tanque com combustível velho: Evite guardar o carro por muito tempo com gasolina comum no tanque. Aditivos estabilizadores de combustível ou o uso temporário de gasolina de alta octanagem (que possui maior estabilidade) tornam-se quase obrigatórios para mitigar a umidade e a degradação rápida.

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