
SEMA 2026 abre em Las Vegas, e caravana brasileira chega rodando
O SEMA Show 2026 abriu as portas nesta terça-feira, 3 de novembro, no Las Vegas Convention Center, nos Estados Unidos.
Análise do aumento do etanol, as barreiras para reverter a regra e as consequências estruturais a médio e longo prazo na frota mais antiga.
Desde o dia 1º de agosto, a gasolina comercializada nos postos brasileiros passou a contar com 32% de etanol anidro. O que antes figurava como debate no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) consolidou-se como realidade operacional em todo o país. Essa alteração insere-se em uma estratégia macroeconômica do governo federal para conter a volatilidade internacional do petróleo e reduzir a necessidade de importação de combustível. Contudo, o arcabouço legislativo traz desdobramentos ainda mais amplos, impulsionados pelas diretrizes do programa Combustível do Futuro, que já estabelece margem legal para que a mistura alcance até 35% de etanol nos próximos anos.
No Congresso Nacional, embora surjam discussões e frentes parlamentares propondo condicionar novos aumentos a testes conclusivos de engenharia, os entraves para a criação de salvaguardas para o antigomobilismo continuam elevados. A aprovação de propostas para a comercialização de gasolina pura (E0), voltada exclusivamente para veículos de coleção com Placa Preta, esbarra na resistência de órgãos reguladores e distribuidoras. As empresas alegam inviabilidade logística e alto custo para duplicar a infraestrutura de tanques e transporte nos postos apenas para atender a uma frota de nicho. Sem perspectivas de flexibilização da lei no curto prazo, o setor observa com apreensão as articulações em Brasília.
A médio e longo prazo, a perpetuação da gasolina E32 acarretará transformações profundas e irreversíveis na preservação do acervo automotivo nacional. A exposição contínua a altas concentrações de etanol inviabilizará a manutenção de componentes originais de época, como tanques metálicos, linhas de alimentação antigas e carburadores fabricados em ligas especiais. A substituição compulsória dessas peças por elementos modernos adaptados provocará uma perda gradativa da originalidade técnica de modelos raros, descaracterizando justamente o valor histórico que a certificação de coleção busca proteger.
Além dos danos materiais, a maior complexidade de conservação tende a afastar os clássicos das vias públicas, gerando um inevitável “efeito museu”, no qual os veículos deixam de rodar e passam a ser mantidos de forma estática em garagens fechadas. Essa diminuição da frota circulante afeta diretamente a cultura dos encontros e o acesso do público à memória viva do automóvel. Paralelamente, o custo elevado de manutenção e o risco permanente de deterioração reconfigurarão o valor de mercado desses automóveis, criando um cenário em que a prudência e a conscientização sobre o cenário real se tornam as principais ferramentas para a sobrevivência do antigomobilismo no Brasil.

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