FEDERAÇÃO PAULISTA DE ANTIGOMOBILISMO | CARREGANDO...
Sincronizando clima e horário...

Bertha Benz, mulher e pioneira na história do automóvel

A história da indústria automotiva, talvez não fosse a mesma que conhecemos hoje, se não fosse pelos esforços de uma mulher. Sim, coube a Bertha Benz, o papel de divulgar a primeira “carruagem sem cavalos”, diante do público, realizando uma viagem de longa distância pela Alemanha em 1888.

Pode parecer algo “fácil”, apresentar e receber os aplausos por algo já criado, mas o que realmente não percebemos, é que tal feito foi cercado de uma grande dificuldade e responsabilidade. Pois bem, coube a Bertha Benz apresentar uma recente e revolucionária invenção, que necessitava de muitos ajustes e aperfeiçoamento, ou seja, as chances de algo dar errado era muito grande, além disso as críticas seriam inúmeras, com toda certeza, não foi uma tarefa fácil.

O desenvolvimento do primeiro automóvel da história teve seu início em 1871, na cidade de Mannheim, na Alemanha, onde os engenheiros Karl Benz e August Ritter uniram forças para abrir uma fábrica de motores; O sobrenome “Benz” lhe parece familiar?

Sim, Karl Benz era marido de Bertha, e ambos são os pais da mundialmente conhecida nos dias de hoje, como Mercedes Benz, marca sinônimo de excelência e qualidade no ramo automotivo.

Bertha Benz
Bertha e Karl Benz em retratos tirados em 1870

Mas para chegarmos ao status de hoje, o caminho foi longo e árduo; O empreendimento iniciado  em 1871 não decolou no primeiro ano devido a decisões tomadas por Ritter, levando a empresa a ter grande parte de seus bens apreendidos.

Para resolver esse impasse, Bertha, esposa de Karl, usou o dote que havia recebido no casamento para comprar a parte de Ritter, tornando-se uma das donas da fábrica. Ela dividia parte de seu tempo para auxiliar Karl e seus funcionários e a outra parte com as tarefas cotidianas típicas de uma mãe de cinco filhos no século XIX.

Os anos seguintes foram marcados por diversas tentativas de Karl para desenvolver um motor que pudesse impulsionar “uma carruagem sem cavalos”. Após unir forças com outros engenheiros da época, Benz conseguiu desenvolver e patentear a criação em 1886, vendido por 600 marcos imperiais. Ainda que inovadora, a criação de Benz não convencia o público. O protótipo não era tão elegante e charmoso como uma carruagem puxada por cavalos, além de ser mais devagar e caro.

Bertha reparou que o melhor jeito de superar a desconfiança do público a respeito da potência do protótipo seria uma demonstração real do veículo em uso. Ela decidiu levar o veículo em uma viagem de longa distância.

A aventura de Benz começou na manhã de 5 de agosto de 1888, saindo da cidade de Mannheim em direção à Pforzheim, em um percurso de aproximadamente cem quilômetros de distância. Ela foi acompanhada de dois de seus filhos adolescentes, Richard e Eugen.

Bertha procurou não fazer nenhuma preparação para a jornada para garantir que não fosse impedida pelo marido para tomar a “viagem perigosa”. O trio empurrou o veículo da garagem até uma boa distância para assegurar que Karl não acordasse com o ruído do motor ligando.

Benz Patent-Motorwagen

O veículo pilotado era o Benz Patent-Motorwagen. O protótipo usado por Bertha possuía apenas uma marcha e tinha uma potência de 0,89 cavalo – entenda o que essa medida significa nesse artigo. A velocidade máxima era de apenas dezesseis quilômetros por hora. Karl optou por usar apenas três rodas pois o engenheiro não conseguia imaginar uma maneira de fazer duas rodas virarem simultaneamente – algo resolvido por ele alguns anos depois.

Essa viagem foi marcada por vários momentos importantíssimos, mas isso é assunto para um outro momento, o que vale neste momento, é lembrar que embora a figura masculina esteja diretamente ligada ao automóvel e sua invenção, coube a coragem, força e determinação de uma mulher, colocar tudo à prova e mudar a história.

Para todas as mulheres do antigomobilismo, os nossos sinceros agradecimentos!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostou do conteúdo? Compartilhe!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Por que a Kombi Tem um Dia Só Dela no Brasil?

Se você cruzar com uma “Velha Senhora” trabalhando firme na feira ou ostentando uma pintura impecável em um encontro de carros antigos hoje, vale buzinar em saudação. Neste 2 de setembro, comemora-se o Dia Nacional da Kombi, uma homenagem justa a um dos utilitários mais carismáticos, versáteis e fundamentais da nossa história automotiva. Mas você sabe o motivo por trás da celebração nesta data específica? O verdadeiro marco zero da Volkswagen nacional A escolha do dia não é casual. Foi exatamente em 2 de setembro de 1957 que a primeira Kombi brasileira saiu da linha de montagem da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP). Aqui reside a primeira grande curiosidade que todo entusiasta do antigomobilismo adora lembrar: ao contrário do que o senso comum imagina, não foi o consagrado Fusca o responsável por inaugurar a fabricação nacional da montadora alemã. A Kombi chegou antes. Embora o Fusca já fosse montado no país desde 1953 em regime CKD (com peças importadas e apenas montagem local), a Kombi foi o primeiro veículo efetivamente fabricado em solo brasileiro, marcando o nascimento da indústria da VW no país. Da feira livre ao status de cult Construída sobre uma mecânica simples, robusta e equipada com o lendário motor boxer refrigerado a ar, a Kombi assumiu mil faces ao longo das décadas. Foi lotação, ambulância, carro de entrega, motorhome hippie e parceira inseparável do pequeno comerciante. Poucos veículos no mundo conseguiram transitar com tanta facilidade entre o trabalho pesado e o status de ícone cultural. O adeus forçado pela legislação A trajetória de produção nacional durou incríveis 56 anos de forma contínua. O fim da linha só veio em dezembro de 2013, e não por falta de demanda, já que o modelo continuava vendendo bem, mas por limitações do projeto original. As novas exigências de segurança que entraram em vigor em 2014, tornando obrigatórios os freios ABS e airbags duplos, eram incompatíveis com a estrutura do projeto concebido ainda na década de 1950. Sua despedida com a série especial Last Edition selou o fim de uma era, mas consolidou seu legado. Hoje, a Kombi brasileira é exportada e cobiçada por colecionadores do mundo inteiro. Mais do que um meio de transporte, ela foi o motor que ajudou a carregar o desenvolvimento do Brasil.

Leia mais »

Lewis Hamilton resgata e restaura Ferrari F40 abandonada há mais de 30 anos

Heptacampeão de Fórmula 1 realiza sonho de infância ao recuperar um dos modelos mais icônicos já aprovados pelo próprio Enzo Ferrari, após o esportivo passar três décadas coberto de poeira. Mesmo habituado à tecnologia de ponta dos monopostos modernos da Fórmula 1, o heptacampeão mundial Lewis Hamilton provou que seu coração de petrolhead bate forte pelo antigomobilismo raiz. O piloto britânico revelou recentemente ter realizado um verdadeiro “sonho de criança”: a aquisição e a minuciosa restauração de uma raríssima Ferrari F40, avaliada atualmente na casa dos R$ 20,7 milhões (cerca de US$ 4 milhões). O Resgate de um Ícone A história por trás da aquisição é o sonho dourado de qualquer entusiasta de veículos clássicos. O superesportivo italiano, considerado por muitos como o “santo graal” dos anos 1980, foi encontrado após passar mais de 30 anos adormecido em uma garagem, esquecido e coberto por décadas de poeira. Em vez de optar por uma oficina terceirizada, Hamilton levou o projeto de restauração de volta para casa: a lendária fábrica da Ferrari em Maranello. Durante semanas, os mecânicos e engenheiros da matriz se debruçaram sobre a mecânica purista da F40 para consertar e revitalizar o veículo, devolvendo a glória ao icônico V8 biturbo. Uma relação que vai além das pistas A ligação emocional de Hamilton com o veículo é antiga e se tornou um símbolo de sua recente transição para a escuderia italiana na F1 (movimento concretizado em 2025). “Meu próprio F40. Este é o carro dos meus sonhos e sempre foi desde que me lembro. Quando criança, sonhava em ter um. Quando entrei na Ferrari no ano passado, fiz questão de ter um comigo no meu primeiro dia em Maranello. Isso é o quanto ele significa para mim”, declarou o piloto. Por que a F40 é uma lenda absoluta? Para os membros da Federação Paulista de Antigomobilismo e amantes das quatro rodas, a F40 dispensa apresentações, mas sua relevância histórica sempre merece ser exaltada. Lançada em 1987 para celebrar o 40º aniversário da marca do Cavallino Rampante, a máquina carrega um peso monumental: foi o último carro criado e aprovado pessoalmente em vida pelo fundador, Enzo Ferrari. Originalmente concebida com um plano de produção altamente restrito a apenas 400 unidades, a aura do carro e a demanda brutal forçaram a fábrica a ampliar a linha, produzindo um total de 1.311 exemplares. Famosa por seu chassi tubular, carroceria de Kevlar e fibra de carbono, portas espartanas e a ausência quase total de assistências eletrônicas, a F40 não é apenas um carro, é a experiência de pilotagem analógica definitiva.

Leia mais »

Honda NSX que pertenceu a Ayrton Senna vai a leilão com lance milionário

Para os apaixonados por automobilismo e fãs saudosos de um dos maiores ídolos do esporte mundial, uma oportunidade única e histórica acaba de surgir, desde que se tenha uma conta bancária bem recheada. O emblemático Honda NSX vermelho que pertenceu a Ayrton Senna irá a leilão no próximo dia 31 de outubro de 2026, em Londres, durante a prestigiada London Motor Week. A venda será organizada pela renomada casa de leilões RM Sotheby’s e promete movimentar colecionadores do mundo inteiro em busca de um pedaço material da história da Fórmula 1. O DNA de um campeão A ligação de Senna com o esportivo japonês vai muito além do título de proprietário. O tricampeão teve uma participação fundamental e ativa no desenvolvimento do projeto do NSX. Durante a era vitoriosa da McLaren equipada com motores Honda, a montadora japonesa convidou o brasileiro para testar os primeiros protótipos de seu novo supercarro no circuito de Suzuka, no Japão. Com base no “feedback” exigente do piloto, a Honda fez diversas alterações cruciais no modelo antes do lançamento, incluindo o enrijecimento da estrutura do chassi em cerca de 50% e um grande refinamento na calibração da suspensão. O objetivo? Rivalizar de frente com gigantes da época, como Ferrari e Porsche. Como forma de agradecimento pelas contribuições inestimáveis, a Honda presenteou o piloto com três unidades do veículo. O exemplar que agora busca um novo dono é o único na deslumbrante cor Formula Red com teto e interior revestido em couro preto (produzido em 1991, sob o chassi número JHMNA11500T000233). O refúgio de Senna em Portugal Registrado em Portugal no dia 22 de março de 1991 (sob a placa SX-25-59), o carro ficava à inteira disposição de Senna sempre que ele visitava a Europa. Era o veículo que o piloto costumava usar para se deslocar do aeroporto até o resort Quinta do Lago, no Algarve, onde tinha uma propriedade, bem como em viagens para o Autódromo do Estoril. O NSX vermelho ficou eternizado na memória afetiva dos fãs após uma famosa fotografia em que Ayrton aparece de forma descontraída, lavando este exato carro no jardim de sua casa portuguesa. Trajetória pós-1994 e cifras milionárias Após o trágico acidente que tirou a vida do piloto em 1994, o esportivo permaneceu por muitos anos guardado em solo português. Em 2009, foi adquirido por um colecionador local e, posteriormente, passou para as mãos do britânico Robert McFagan. Em 2019, o carro ganhou os holofotes mais uma vez ao ser levado a Ímola, na Itália, para as homenagens que marcaram os 25 anos do legado do brasileiro. Agora, as expectativas para o arremate são altíssimas. Segundo as avaliações prévias da RM Sotheby’s, o carro deve receber lances variando entre 500 mil e 800 mil libras esterlinas. Em conversão direta, isso significa que a máquina de Senna pode trocar de mãos por cifras que vão de R$ 3,7 milhões a mais de R$ 7 milhões. Para quem arrematar o lote, o prêmio não será apenas levar para a garagem um esportivo clássico em excelente estado de conservação, mas herdar um símbolo da vida íntima do nosso eterno campeão.

Leia mais »

Fiat celebra 50 anos no Brasil com miniaturas históricas

Ação comemorativa “Fiat Collection” mira o coração dos colecionadores ao eternizar ícones da marca em escala reduzida. Promoção ainda sorteará viagens para as fábricas no Brasil e na Itália. Para nós, apaixonados pelo antigomobilismo e pela preservação da história automotiva, 2026 marca um ano emblemático: o cinquentenário da Fiat no Brasil. Desde a inauguração do polo automotivo de Betim (MG) em 1976, a montadora italiana deixou uma marca indelével nas ruas do país e, consequentemente, nas garagens de muitos colecionadores.

Leia mais »

Gasolina E32 chegou aos postos

Desde o dia 1º de agosto, a gasolina comercializada nos postos brasileiros passou a contar com 32% de etanol anidro. O que antes figurava como debate no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) consolidou-se como realidade operacional em todo o país. Essa alteração insere-se em uma estratégia macroeconômica do governo federal para conter a volatilidade internacional do petróleo e reduzir a necessidade de importação de combustível. Contudo, o arcabouço legislativo traz desdobramentos ainda mais amplos, impulsionados pelas diretrizes do programa Combustível do Futuro, que já estabelece margem legal para que a mistura alcance até 35% de etanol nos próximos anos.

Leia mais »
plugins premium WordPress