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A história do autódromo de São Paulo que nasceu entre dois lagos

Neste domingo, 8 de novembro, os motores da Fórmula 1 voltam a roncar em Interlagos para o GP de São Paulo. Para quem acompanha a corrida pela TV ou da arquibancada, o autódromo parece parte natural da paisagem da zona sul da capital. Mas a história dele começou muito antes dos carros modernos, com um projeto de bairro, um nome inspirado na Suíça e uma pista aberta em meio às represas. Um projeto entre represas Em meados dos anos 1920, o engenheiro britânico Louis Romero Sanson, dono da construtora Auto-Estradas, planejou um empreendimento entre as represas Guarapiranga e Billings. O urbanista francês Alfred Agache, que participou do projeto, viu na região uma semelhança com Interlaken, cidade suíça cercada por lagos. Daí veio o nome: Interlagos, o lugar “entre lagos”. A crise financeira de 1929 e a Revolução Constitucionalista de 1932 atrasaram os planos. A ideia de um autódromo ganhou força nos anos seguintes, e em abril de 1939 um grupo de pilotos liderado por Manoel de Teffé fez as primeiras voltas na pista ainda inacabada. A inauguração de 1940 O autódromo foi inaugurado em 12 de maio de 1940, diante de cerca de 15 mil pessoas. A programação teve uma prova de motos de 12 voltas e o Grande Prêmio São Paulo, com 25 voltas e 200 quilômetros. O traçado completo tinha cerca de 8 quilômetros e era percorrido no sentido anti-horário, como até hoje. Na estreia, faltava quase tudo o que hoje parece básico: não havia arquibancadas, boxes nem torre de cronometragem. Da reforma à Fórmula 1 No fim de 1967, o autódromo fechou para uma grande reforma. Reabriu em 29 de fevereiro de 1970 com uma prova internacional de Fórmula Ford vencida por Emerson Fittipaldi e arquibancadas para 20 mil pessoas. Novas obras em 1971 prepararam a pista para a Fórmula 1. A primeira corrida da categoria em Interlagos aconteceu em 30 de março de 1972, ainda fora do campeonato, com vitória de Carlos Reutemann. Em 11 de fevereiro de 1973, veio o primeiro GP do Brasil válido pelo Mundial, vencido por Emerson Fittipaldi, que repetiria a vitória em 1974. Em 1975, foi a vez de José Carlos Pace vencer em casa, a única vitória dele na Fórmula 1. Em 1985, o autódromo passou a levar o seu nome. A volta em 1990 e a era Senna Entre 1981 e 1989, o GP do Brasil foi disputado no Rio de Janeiro. A volta a São Paulo veio em 1990, com o traçado encurtado para os atuais 4,309 quilômetros, novos boxes e torre de controle. Na reinauguração, em 23 de março de 1990, Alain Prost venceu, com Ayrton Senna em terceiro. As vitórias de Senna em casa vieram em 1991 e 1993, e até hoje estão entre as cenas mais lembradas do automobilismo brasileiro. Patrimônio do automobilismo Ao longo de 86 anos, Interlagos recebeu também provas como as Mil Milhas Brasileiras e a Stock Car, além de gerações de pilotos que deram ali as primeiras voltas. Cada curva do autódromo guarda um capítulo da história do esporte a motor no país. No domingo, quando os carros alinharem para a largada, mais uma página será escrita nessa história, que começou entre dois lagos.

Royal Enfield e Indian, duas lendas das motos chegam aos 125 anos

O ano de 1901 marcou o início de duas histórias que, mais de um século depois, continuam sendo contadas sobre duas rodas. De um lado do Atlântico, a Indian começava a produzir motos em Springfield, no estado americano de Massachusetts. Do outro, a Royal Enfield, na Inglaterra, apresentava sua primeira motocicleta. Em 2026, as duas marcas celebram 125 anos. Indian, a pioneira americana A Indian foi a primeira fabricante de motocicletas dos Estados Unidos, dois anos antes da Harley-Davidson. A marca cresceu rápido e, no auge, chegou a produzir cerca de 30 mil motos por ano, número expressivo para a época. A trajetória, porém, teve uma longa pausa. A fábrica fechou as portas em 1953, e o nome Indian ficou décadas fora das linhas de montagem, vivo na memória dos colecionadores e nas motos preservadas. O renascimento veio em 2011, sob o comando da Polaris Industries. Para o aniversário de 125 anos, a marca adotou o tema “Never Finished”, algo como “nunca acaba”, que resume bem a sua história. Royal Enfield, da Inglaterra para a Índia A Royal Enfield tem raízes ainda mais antigas. A empresa foi fundada em 1891 como Enfield Manufacturing Company, em Redditch, na Inglaterra, e adotou o nome Royal Enfield dois anos depois. A primeira motocicleta veio em 1901, um protótipo de bicicleta motorizada com motor de 170 cc. O capítulo que mudou o destino da marca começou em 1956, quando a Bullet 350 foi escolhida pela polícia da Índia e a montagem das motos passou a acontecer no país, então recém-independente da Inglaterra. Com o tempo, a produção britânica foi encerrada e a fábrica indiana seguiu adiante. Em 1994, a operação passou ao grupo Eicher, que conduz a marca até hoje. Uma série para lembrar a data Para marcar os 125 anos, a Royal Enfield criou uma série numerada da Classic 650 com 625 unidades no mundo, das quais 75 vêm para o Brasil. A moto tem pintura que muda de tom conforme a luz, entre vermelho, verde e dourado, emblema comemorativo no tanque, frisos pintados à mão e detalhes que lembram as primeiras motos da marca. Motos também são patrimônio As histórias da Indian e da Royal Enfield mostram que a preservação não é tarefa só dos carros. Motos antigas guardam soluções de engenharia, estilos de época e memórias de quem viveu com elas. Cada exemplar conservado ajuda a contar como as duas rodas se tornaram parte do cotidiano em diferentes partes do mundo.

RD 50 a “Cinquentinha” que inaugurou a produção de motos no Brasil

Uma faixa estendida sobre a linha de montagem resumia o momento: “Viva!!! Enfim a motocicleta brasileira”, com a data 10/10/74 e uma saudação em japonês. Registros da época mostram as primeiras RD 50 azuis enfileiradas na fábrica, decoradas com bandeiras do Brasil e do estado de São Paulo. Aquela pequena moto de 50 cm³ marcou o início da indústria nacional de motocicletas em escala industrial. Dois anos antes da Honda CG 125, e onze anos antes da primeira fábrica no Polo Industrial de Manaus, a produção de motos no Brasil começava na Grande São Paulo. De importadora a fabricante A Yamaha chegou ao Brasil em novembro de 1970, como importadora. O primeiro escritório funcionava na Rua General Osório, no centro de São Paulo. Nos primeiros anos, a marca trazia do Japão modelos de motor dois tempos, como a FT 50 Mini Enduro, a FS1 50 de cinco marchas e a R5 de 350 cm³ e dois cilindros. A boa aceitação desses modelos levou a empresa a planejar algo maior: produzir motocicletas no próprio país. Guarulhos, a primeira fábrica fora do Japão A fábrica foi erguida em Guarulhos, às margens da Rodovia Presidente Dutra. A localização deixava a unidade próxima do interior paulista e do porto de Santos. Foi a primeira planta da Yamaha fora do Japão e a primeira fábrica de motocicletas instalada no Brasil. A data mais citada para o início das operações é 10 de outubro de 1974, a mesma registrada na faixa da linha de montagem. A cerimônia reuniu Isao Koike, presidente da Yamaha Motor Company, e Severo Gomes, então ministro da Indústria e Comércio. Algumas publicações situam a inauguração oficial em novembro de 1974, o que sugere que a produção tenha começado semanas antes da solenidade formal. A Cinquentinha A RD 50 era derivada da YB 50 japonesa, mas a versão brasileira recebeu ajustes próprios. Tinha mais potência que a matriz e câmbio de cinco marchas, contra quatro da YB 50. O motor monocilíndrico de dois tempos, com 49 cm³, entregava cerca de 6,5 cv a 9.500 rpm e 0,50 kgfm de torque a 8.500 rpm. Algumas fontes registram 6,2 cv. O desenho de linhas retas trazia um visual esportivo que a marca exploraria nos modelos seguintes. A Yamaha antecipou a produção para apresentar a moto no Salão do Automóvel de São Paulo de 1974. No evento, o público pôde experimentar a novidade em uma pista de test-ride montada pela marca. O apelido “Cinquentinha” veio do público e acompanhou o modelo durante toda a sua trajetória. A RD 50 ficou em produção até o fim dos anos 1970 e foi a primeira moto de uma geração inteira de motociclistas brasileiros. Por que “primeira motocicleta nacional” O Brasil já produzia veículos motorizados de duas rodas antes de 1974. Em 1955, a Lambretta do Brasil obteve licença para fabricar scooters e montou fábrica no bairro da Lapa, em São Paulo. No mesmo ano, a Monark começou a produzir modelos de baixa cilindrada, como a Monark 50, próxima de uma bicicleta motorizada. O pioneirismo da RD 50 está em outro ponto: foi a primeira motocicleta produzida em série, em linha de montagem industrial, por uma fábrica dedicada a motos no país. É nesse sentido que a história do motociclismo brasileiro a reconhece como a primeira moto nacional. Vale lembrar também que “nacional” se refere ao local de fabricação, e não à origem da marca. A Yamaha é japonesa, mas a RD 50 foi produzida em território brasileiro. O legado A RD 50 abriu caminho para uma família de modelos nacionais. Logo vieram a RD 75, evolução direta da Cinquentinha, e a RS 125, produzida com peças fabricadas no Brasil. A RD 350, primeira moto esportiva nacional, até hoje é procurada por colecionadores. Em 1976, a Honda iniciou a produção da CG 125, e o mercado brasileiro de motos ganhou a escala que conhecemos. Em 1985, a própria Yamaha inaugurou sua segunda fábrica, em Manaus, e em outubro de 2024 alcançou a marca de 5 milhões de motocicletas produzidas no país. Guarulhos funcionou por décadas como sede e centro de distribuição da marca. Recentemente, a Yamaha transferiu a sede para a capital paulista, mas a cidade segue lembrada como o berço da produção de motos no Brasil.

A audaciosa Romi-Isetta completa 70 anos de um grande passo na indústria automotiva no Brasil

Setembro de 1956. O Brasil vivia a efervescência dos “Anos Dourados”, o presidente Juscelino Kubitschek prometia “50 anos em 5” e a cidade de São Paulo via sua paisagem urbana ser tomada por uma frota crescente de veículos importados. Foi nesse cenário, mais precisamente no dia 5 de setembro daquele ano, que um comboio de 16 pequenos e curiosos veículos desfilou pelas ruas da capital paulista em direção ao Palácio dos Campos Elíseos. Eles não vinham de Detroit ou de Stuttgart, mas de Santa Bárbara d’Oeste (SP). Era o lançamento oficial do Romi-Isetta, o primeiro automóvel de passeio produzido em série no Brasil. Hoje, ao celebrarmos os 70 anos deste marco histórico em 2026, a Federação Paulista de Antigomobilismo (FPA) resgata a trajetória do microcarro que provou que o Brasil estava pronto para ter sua própria indústria automotiva. Da máquina-ferramenta às ruas A ousadia de fabricar um carro no Brasil não veio de uma montadora tradicional, mas das Indústrias Romi S.A., uma consolidada fabricante de tornos e máquinas agrícolas. Sob a liderança de Américo Emílio Romi e seu enteado, Carlos Chiti, a empresa adquiriu os direitos de produção da italiana Iso SpA (criadora do projeto original). O que mais impressiona na história do Romi-Isetta é o seu nível de nacionalização inicial. Enquanto o governo ainda estruturava o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) para atrair fábricas estrangeiras, a Romi colocou seu carrinho nas ruas com 72% de suas peças (em peso) produzidas no Brasil. Não era apenas uma montagem de peças importadas (sistema CKD); era engenharia aplicada em solo nacional. Engenharia peculiar e a “saída de emergência” O design em formato de bolha (bubble car) chamava atenção por onde passava, mas sua engenharia era ainda mais fascinante. O acesso à cabine, que acomodava dois adultos (e, com algum aperto, uma criança pequena), era feito por uma única porta frontal. Para permitir a entrada, a coluna de direção e o painel de instrumentos eram articulados, movendo-se para fora junto com a porta. Uma curiosidade que poucos conhecem: o charmoso teto solar de lona não era apenas um opcional de conforto térmico, mas uma exigência de segurança estrutural. Caso o veículo sofresse uma colisão frontal que travasse a única porta, o teto de lona servia como a rota de fuga de emergência para os ocupantes. Durante sua vida útil, o Romi-Isetta teve duas fases mecânicas distintas: Fase 1 (1956 a 1958): Equipado com o motor original Iso, um monocilíndrico de 2 tempos, com 236 cm³ e 9,5 cv de potência. Fase 2 (1959 a 1961): Passou a utilizar a confiável mecânica licenciada da BMW, adotando um motor de 4 tempos, com 298 cm³ e 13 cv, garantindo melhor desempenho e durabilidade. Um ícone Pop e o fim precoce O simpático Romi-Isetta logo caiu nas graças do público e da mídia. Tornou-se símbolo de modernidade e foi eternizado na TV como o carro dos personagens de Eva Wilma e John Herbert no seriado “Alô, Doçura!”, um dos maiores sucessos da época. Apesar do sucesso cultural e de aproximadamente 3.000 unidades produzidas, a trajetória do pioneiro foi interrompida em 1961. Ironicamente, o mesmo governo que incentivou a indústria automotiva foi o responsável pelo seu fim. As regras do GEIA estabeleceram que, para receber os benefícios fiscais e ser classificado como “automóvel”, o veículo precisava ter pelo menos duas portas e capacidade para quatro passageiros. Enquadrado na taxação de importação de peças, o custo de produção do microcarro tornou-se inviável. O legado preservado A produção pode ter durado apenas cinco anos, mas o legado do Romi-Isetta é eterno. Ele provou a capacidade fabril brasileira e abriu caminho para as dezenas de montadoras que se instalariam no país nas décadas seguintes.

Os utilitários militares que forjaram a história do 7 de Setembro

Todo dia 7 de Setembro, os olhos da nação se voltam para a Esplanada dos Ministérios, onde o imponente Rolls-Royce Silver Wraith 1952 conduz o Chefe de Estado a meros 5 km/h. No entanto, para os apaixonados por mecânica bruta e história automotiva, a verdadeira trilha sonora da Independência não vem do silencioso motor inglês de 6 cilindros, mas do ronco grave e compassado das viaturas táticas que tracionam as Forças Armadas pelo asfalto. Enquanto o conversível presidencial é exclusividade da capital federal, foram os utilitários militares que garantiram a capilaridade dos desfiles de 7 de Setembro em cada guarnição, município e capital do Brasil. Essas máquinas não representam apenas o poderio militar, mas a própria evolução da indústria e da engenharia motomecanizada no nosso país. Jeep Willys e o som inconfundível da tração nas avenidas Se existe um veículo que é sinônimo absoluto de desfile militar no Brasil, é o Jeep. Nascido da urgência da Segunda Guerra Mundial, o lendário utilitário (inicialmente nas versões MB, M38A1 e CJ-3B) foi o primeiro contato maciço do Exército Brasileiro com a tração 4×4 leve. Com a nacionalização da produção pela Willys-Overland do Brasil (e posteriormente pela Ford), o Jeep tornou-se onipresente. Por mais de quatro décadas, o som metálico e cadenciado de seus motores (como o clássico Hurricane de 4 cilindros ou o robusto BF-161 de 6 cilindros) ecoou nas paradas do Dia da Independência. Era o veículo padrão para o transporte de comandantes de tropa, condução do Fogo Simbólico, revista de pelotões e tração de artilharia leve. Sua simplicidade espartana e confiabilidade extrema o transformaram no maior ícone militar sobre rodas do país. O Imponente Dodge Command Car Antes da massificação das frotas nacionais, o período do pós-guerra trouxe ao Brasil os “gigantes” da Série WC da Dodge, especialmente o Command Car. Com uma carroceria aberta larga, pneus lameiros robustos e um torque bruto projetado para puxar tropas e equipamentos em terrenos devastados, o Dodge era a viatura de escolha para conduzir o alto oficialato. Vê-lo cruzar a avenida no 7 de Setembro, quase sempre com a lona recolhida e oficiais perfilados em seu interior, era um espetáculo de pura força mecânica americana que marcou as décadas de 1950 e 1960. Hoje, os exemplares sobreviventes são algumas das joias mais disputadas por colecionadores de veículos militares (uma categoria à parte e de extremo rigor no antigomobilismo). Toyota Bandeirante À medida que o Brasil consolidava sua própria indústria, as Forças Armadas buscaram padronizar a frota com tecnologia nacional e motores a diesel, visando maior autonomia e facilidade de manutenção. É nesse cenário que, entre o final dos anos 1970 e os anos 2000, a Toyota Bandeirante assumiu a linha de frente. Produzida em São Bernardo do Campo (SP), a Bandeirante militarizada tornou-se a espinha dorsal das tropas. O característico “bater” metálico de seus motores diesel — muitas vezes equipada com os inquebráveis propulsores Mercedes-Benz OM-314 e OM-364 — substituiu o ronco dos motores a gasolina nos desfiles. Robustas, retilíneas e infalíveis, as Bandeirantes provaram que a engenharia nacional estava pronta para qualquer terreno. Agrale Marruá A linhagem dos utilitários puros não morreu com o fim das velhas fábricas. A experiência brasileira culminou no desenvolvimento do Agrale Marruá, um projeto nacional genuíno (nascido a partir dos conhecimentos herdados da extinta Engesa) que assumiu o posto de Viatura de Transporte Não Especializado (VTNE) padrão das nossas Forças Armadas. Ele é o atual guardião dessa tradição de aço nos desfiles contemporâneos, unindo tecnologia atual com a robustez exigida pela caserna.

A rebelião analógica na era dos carros elétricos

Neste 5 de setembro, Dia do Antigomobilista, a FPA analisa como a busca por experiências reais, mecânica orgânica e design autêntico está transformando carros clássicos e Youngtimers no objeto de desejo de uma nova geração. Se você entrar em uma concessionária hoje em 2026, os carros zero quilômetro parecerão grandes smartphones sobre rodas. Motores silenciosos, painéis dominados por telas sensíveis ao toque, assistentes virtuais intrusivos e uma condução cada vez mais anestesiada pelos sistemas autônomos. A engenharia moderna alcançou o ápice da eficiência e da segurança, mas, no processo, esvaziou a relação homem-máquina. É exatamente em resposta a esse excesso de filtros, notificações e condução asséptica que o mercado de clássicos vem sofrendo uma revolução silenciosa. O antigomobilismo, outrora visto apenas como um hobby de nicho focado na preservação estrita do passado, transformou-se na maior rebelião analógica do nosso tempo. A Busca pela experiência orgânica Neste Dia Nacional do Antigomobilista, o perfil de quem está resgatando veículos clássicos mudou radicalmente. Millennials e a Geração Z estão ditando um novo ritmo no mercado não apenas pela nostalgia do design, mas pela busca desenfreada pela experiência tátil e visceral. Girar uma chave de metal. Sentir a resistência física (e a comunicação direta) de uma direção que não é esterçada por motores elétricos. O tranco mecânico de uma embreagem. O som encorpado e imperfeito da quebra do combustível em um motor a combustão. Hoje, acelerar um veículo de coleção é uma das raras formas de se estar 100% presente no momento. Quando você está ao volante de um clássico, você não está respondendo mensagens nem deslizando a tela; você está dirigindo. O carro clássico tornou-se o maior antídoto para a ansiedade digital. A ascensão dos Youngtimers e a curadoria de estilo Essa mudança de mentalidade explodiu a barreira das décadas. O antigomobilismo atual não se restringe mais aos impecáveis importados dos anos 50 ou aos robustos nacionais dos anos 70. Estamos vivendo o boom indiscutível dos Youngtimers, a safra dos anos 90 e do início dos anos 2000 que agora atinge a maturidade histórica. Modelos que habitavam a cultura pop, as capas de revistas especializadas e as garagens dos videogames da época agora são caçados com fervor. O hatch esportivo puro-sangue, o sedã executivo analógico e os motores que marcaram a transição da mecânica pura para as primeiras injeções eletrônicas. Para esse novo público, colecionar não é sobre acumular dezenas de veículos parados e empoeirados. É sobre curadoria. É encontrar um ou dois exemplares que reflitam seu lifestyle, realizar uma manutenção técnica rigorosa e colocá-los na estrada. Os encontros de automobilismo de 2026 não são mais apenas exposições estáticas no gramado; são eventos de cultura urbana, road trips e experiências imersivas onde o carro é a peça central. A celebração do inalterado e da originalidade Neste cenário, a preservação da mecânica e do design originais ganhou um status quase filosófico. Em um mundo onde tudo é descartável, atualizado por software e substituído a cada dois anos, manter a integridade de uma máquina construída décadas atrás é a forma máxima de respeito ao patrimônio técnico. A apreciação pelo estado de conservação, pela estética original de fábrica e pela história de sobrevivência do veículo é o que une os entusiastas. Não se trata de especulação, mas de reconhecer que a engenharia daquela época tinha personalidade própria, e que preservar essa essência é manter vivo um capítulo fundamental da nossa cultura industrial. A história continua nas ruas Ser antigomobilista hoje não é tentar parar o relógio. É reconhecer que a engenharia, o design e a ousadia do passado têm um valor atemporal. Os carros clássicos sobrevivem aos seus criadores e aos seus primeiros donos; são cápsulas do tempo em movimento. Neste 5 de setembro, a Federação Paulista de Antigomobilismo saúda todos os proprietários, restauradores, clubes filiados e entusiastas. Sejam os veteranos que desbravaram a cultura do automóvel ou os novos apaixonados que estão injetando sangue novo no setor. Vocês provam que, no meio de tanto código binário e motores silenciosos, o que ainda move as ruas é a emoção em estado puro.

Honda NSX que pertenceu a Ayrton Senna vai a leilão com lance milionário

Para os apaixonados por automobilismo e fãs saudosos de um dos maiores ídolos do esporte mundial, uma oportunidade única e histórica acaba de surgir, desde que se tenha uma conta bancária bem recheada. O emblemático Honda NSX vermelho que pertenceu a Ayrton Senna irá a leilão no próximo dia 31 de outubro de 2026, em Londres, durante a prestigiada London Motor Week. A venda será organizada pela renomada casa de leilões RM Sotheby’s e promete movimentar colecionadores do mundo inteiro em busca de um pedaço material da história da Fórmula 1. O DNA de um campeão A ligação de Senna com o esportivo japonês vai muito além do título de proprietário. O tricampeão teve uma participação fundamental e ativa no desenvolvimento do projeto do NSX. Durante a era vitoriosa da McLaren equipada com motores Honda, a montadora japonesa convidou o brasileiro para testar os primeiros protótipos de seu novo supercarro no circuito de Suzuka, no Japão. Com base no “feedback” exigente do piloto, a Honda fez diversas alterações cruciais no modelo antes do lançamento, incluindo o enrijecimento da estrutura do chassi em cerca de 50% e um grande refinamento na calibração da suspensão. O objetivo? Rivalizar de frente com gigantes da época, como Ferrari e Porsche. Como forma de agradecimento pelas contribuições inestimáveis, a Honda presenteou o piloto com três unidades do veículo. O exemplar que agora busca um novo dono é o único na deslumbrante cor Formula Red com teto e interior revestido em couro preto (produzido em 1991, sob o chassi número JHMNA11500T000233). O refúgio de Senna em Portugal Registrado em Portugal no dia 22 de março de 1991 (sob a placa SX-25-59), o carro ficava à inteira disposição de Senna sempre que ele visitava a Europa. Era o veículo que o piloto costumava usar para se deslocar do aeroporto até o resort Quinta do Lago, no Algarve, onde tinha uma propriedade, bem como em viagens para o Autódromo do Estoril. O NSX vermelho ficou eternizado na memória afetiva dos fãs após uma famosa fotografia em que Ayrton aparece de forma descontraída, lavando este exato carro no jardim de sua casa portuguesa. Trajetória pós-1994 e cifras milionárias Após o trágico acidente que tirou a vida do piloto em 1994, o esportivo permaneceu por muitos anos guardado em solo português. Em 2009, foi adquirido por um colecionador local e, posteriormente, passou para as mãos do britânico Robert McFagan. Em 2019, o carro ganhou os holofotes mais uma vez ao ser levado a Ímola, na Itália, para as homenagens que marcaram os 25 anos do legado do brasileiro. Agora, as expectativas para o arremate são altíssimas. Segundo as avaliações prévias da RM Sotheby’s, o carro deve receber lances variando entre 500 mil e 800 mil libras esterlinas. Em conversão direta, isso significa que a máquina de Senna pode trocar de mãos por cifras que vão de R$ 3,7 milhões a mais de R$ 7 milhões. Para quem arrematar o lote, o prêmio não será apenas levar para a garagem um esportivo clássico em excelente estado de conservação, mas herdar um símbolo da vida íntima do nosso eterno campeão.

O Carro mais bonito do Brasil reaparece após décadas

Antes de os grandes complexos industriais de São Bernardo do Campo e Taubaté moldarem a paisagem automotiva brasileira, a paixão por velocidade e design já pulsava forte nas oficinas artesanais do país. Foi nesse cenário de pura engenhosidade que nasceu o Packard Woerdenbag, um roadster único que arrebatou capas de revistas, estrelou campanhas publicitárias nos anos 1950 e recebeu do público e da imprensa da época o ousado título de “o carro mais bonito do Brasil”.

Uma homenagem especial a Josè Roberto Beilstrein, o nosso “Zé”

Sua trajetória é marcada por grandes realizações que ajudaram a moldar e a fortalecer o cenário da motovelocidade e do automobilismo nacional. Nos saudosos anos de ouro das décadas de 1980 e 1990, Beilstrein esteve à frente da organização e do fomento de provas tradicionais e lendárias, como as famosas “500 Milhas” e as “Mil Milhas”. Com uma atuação forte e respeitada junto à Federação Paulista de Motociclismo (FPM), ele foi peça fundamental na revelação de inúmeros pilotos no segmento do moto esporte brasileiro. Atrás dos boxes e nos bastidores da velocidade, seu nome sempre foi sinônimo de excelência, trabalho árduo e incentivo incondicional ao esporte.

A figura materna como guardiã do legado automotivo

A relação entre mães, filhos e automóveis muitas vezes transcende a simples utilidade do transporte cotidiano, consolidando-se como um dos elos mais poderosos da memória afetiva e da construção do patrimônio familiar.

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