
Segmento bate recorde em 2024
A cultura do antigomobilismo, que envolve a compra e o colecionamento de veículos antigos, tem se consolidado como uma prática
Descubra os pilares que sustentam a valorização recorde e a paixão que une gerações em torno do clássico modelo.
Hoje, 20 de janeiro, o som característico dos motores boxer a ar reverbera com um orgulho diferente pelas ruas brasileiras. Celebrar o Dia Nacional do Fusca não é apenas um exercício de nostalgia automotiva, mas o reconhecimento de um fenômeno cultural que, mesmo décadas após o fim de sua produção, recusa-se a sair de cena. O projeto de Ferdinand Porsche, focado em robustez e simplicidade mecânica, encontrou no solo brasileiro o cenário ideal para prosperar, evoluindo de um simples meio de transporte para o alicerce da motorização do país e um símbolo de liberdade para diversas gerações.
A trajetória do “Besouro” no Brasil é marcada por uma resiliência impressionante, desde a montagem dos primeiros kits importados em 1953 até o renascimento icônico na década de 90 a pedido do então presidente Itamar Franco. Em um país de infraestrutura historicamente desafiadora, o Fusca democratizou o acesso ao automóvel, servindo com a mesma valentia como o primeiro carro de uma família, viatura de polícia ou táxi urbano. Mais do que metal e engrenagens, o modelo tornou-se uma cápsula de memórias afetivas, consolidando-se como um patrimônio histórico que une entusiastas em torno de uma paixão que ignora a passagem do tempo.
A trajetória nacional do modelo foi pontuada por marcos técnicos que hoje definem o valor histórico de cada exemplar:
1959: Início da produção nacional com o motor 1200 e o icônico vidro traseiro retangular.
1970: Chegada do motor 1500, o popular “Fuscão”, trazendo mais fôlego para as estradas brasileiras.
1986: A primeira despedida, que parecia definitiva, marcando o fim de uma era.
1993: O renascimento por pedido presidencial; o “Fusca Itamar” trouxe melhorias modernas ao clássico.
1996: O adeus definitivo das linhas de montagem, selando seu status como item de coleção.
No mercado de colecionáveis de 2026, o Fusca deixou de ser um veículo de baixo custo para se tornar um investimento estratégico. A valorização de exemplares bem conservados ou restaurados com peças de estoque antigo (NOS) segue em uma curva ascendente, atraindo investidores que buscam ativos tangíveis.
| Versão / Estado de Conservação | Valor Médio Estimado (2026) | Observação |
| Fusca Split Window (Anos 50) | R$ 150.000+ | Raridade extrema e alta demanda purista. |
| Fusca Itamar (93-96) | R$ 60.000 – R$ 100.000 | Valorizado pelo conforto e dirigibilidade. |
| Fusca 1500 (Fuscão) | R$ 45.000 – R$ 80.000 | O equilíbrio perfeito entre estética e força. |
| Modelos de Uso Diário | R$ 15.000 – R$ 30.000 | Veículos para projetos ou uso casual. |
A perenidade do Fusca também se deve à sua incrível capacidade de adaptação estética. A cultura Aircooled moderna mantém o modelo relevante através de diferentes linguagens visuais. Enquanto o German Look foca em performance e herança Porsche, o Rat Look celebra a pátina e o desgaste do tempo, provando que o carro aceita quase qualquer tipo de personalização, desde o cinema com o personagem Herbie até os festivais de customização radical.
Para o futuro, o desafio é a convivência com as novas matrizes energéticas. Enquanto a Placa Preta garante a preservação do DNA original e do ronco metálico, o Retrofit (conversão elétrica) surge como uma alternativa viável para quem deseja manter o design icônico circulando em grandes centros com restrições ambientais. Seja como uma relíquia movida a gasolina ou um clássico eletrificado, o Fusca demonstra que sua silhueta é imortal.

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